A amizade constrói estruturas que nos mantém vivos e criativos exatamente pela habilidade de nos melhorar.
Difícil esquecer aquelas pessoas que amamos. Mais difícil ainda é ver essas pessoas irem embora desse mundo vítimas das mazelas que esse planeta carrega.
Perdi um amigo, perdi um irmão para os índices da criminalidade. Assassinado brutalmente, fiquei órfão de uma amizade carinhosa e sincera.
Deu lugar uma saudade, uma saudade doce de amigo querido que se foi para nunca mais voltar. Ficou o choro, a mágoa e uma enorme sensação de desperdício.
Meus cabelos estão grisalhos e denunciam que já carrego bastante experiência nessa vida. Mas em momentos como esses me sinto feito criança. Não sei o que fazer.
Perdi também o companheiro de trabalho. A pessoa mais otimista que conheci. Positivo, carinhoso, bondoso. Criatura de defeitos contundentes, muito verossímeis. De uma insistência burra fora do comum. Transcendendo a qualquer obstáculo com o destemor típico dos jovens.
Rosto jovial, coração de menino. Assim era meu amigo, meu companheiro de trabalho, meu aluno.
Amigo que confiou em meu trabalho e não me deixou desistir de meus sonhos até quando não mais suportava. Me reanimou nos momentos de tristeza. Fingiu que não via meus vacilos e ainda assim apostava em mim.
Foi embora e nem pude dizer adeus. Não deu tempo nem de dizer, pelo menos, pela última vez, que o amava. Foi rápido demais.
Frank Anderson Soares Peixoto, tinha 27 anos. Foi vítima de um assalto no caótico trânsito da Baixada Fluminense no dia 02/01/09. Vendedor nato. Trilhou em 8 anos uma trajetória de ascensão profissional impecável.
